Recusa ao Estado, de Union Régionale Rhône-Alpes da Federação Anarquista Francófona

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Trata-se de uma gigantesca escroqueria: as classes dominantes construíram os aparelhos de Estado para servirem a seus interesses e não para a sociedade. O Estado é um instrumento de repressão, de controle e gestão, que opera contra nós e que limita ou esmaga nossas iniciativas de auto-organização.

Para que a sociedade funcione, não precisamos ser dirigidos, e, recusando o Estado, propomos o federalismo libertário e a autogestão, quer dizer, modos de funcionamento que dão ao individuo a possibilidade de coordenar as atividades sócias, tratando de iguais a iguais.

Por nosso antiautoritarismo, somos conduzidos a nos diferenciar dos democratas. A democracia é etimologicamente a ideia do poder do povo, mas historicamente é a referência à democracia ateniense (na qual havia escravos!) ou a democracia atual, que se desenvolveu desde a Revolução americana e afirmada com a Revolução francesa. Para evitar cair na armadilha do jogo de linguagem, podemos dizer que o problema fundamental é o da delegação de poder: ser democrata é pensar que o povo deve eleger seus governantes (pelo sufrágio universal)

O “democrata” permanece, pois, no esquema dirigentes/dirigidos. Se a ditadura é o pior dos sistemas políticos, convocados a intervir diretamente na “vida política do país”? Ora, é uma evidência, a maioria nem sempre tem razão.

Entregar-se sem condição a seu juízo para tomar decisões sobre tudo é extremamente perigoso: iremos aceitar votar sobre questões como a pena de morte, a expulsão dos imigrantes (ou filhos de emigrantes), o direito de as mulheres trabalharem? Não podemos aceitar a submeter a um voto o que não é negociável e o que conspurca o princípio da justiça social!

Isso posto, não somos sistematicamente opostos ao voto.

Podemos recorrer a ele for concebido como um modo de decisão aceito por todos, a fim de ter, em um dado momento, indicações quanto as posições de cada um, resolver rapidamente questões técnicas, escolher entre diferentes opções econômicas de produção.

Texto extraído da obra: O Anarquismo hoje, Um projeto para Revolução Social.

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